Quem são os Baptistas

Nós, os Cristãos Evangélicos Baptistas somos um povo de crentes em Jesus Cristo, que se reúnem em centenas de milhares de igrejas espalhadas por todo o mundo. Seguimos os ensinamentos de Jesus tal como recebidos dos apóstolos. Praticamos o baptismo para os crentes como o praticou a igreja cristã primitiva e em obediência ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Amamos a paz e ensinamos aos homens que a salvação só nos é concedida pelo único Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Reconhecemos que a paz só será alcançada se os homens aceitarem o senhorio de Cristo.
Alguns séculos de História avalizam a influência dos baptistas na sociedade. A nossa autoridade, como igrejas cristãs, está particularmente no facto de que as nossas doutrinas hoje mantêm o mesmo credo das igrejas do novo testamento.
Embora não descendamos de nenhum reformador protestante, nos identificamos com eles nas doutrinas comuns como “só a palavra de Deus”, “Só a Fé para Salvação” sem méritos pessoais e “só a graça de Cristo” como único meio de salvação, porque se fundamentam na Bíblia Sagrada. Portanto, temos a Bíblia Sagrada como nossa única regra de fé e prática.

 

DECLARAÇÃO DOUTRINÁRIA

I. AS SAGRADAS ESCRITURAS – A Bíblia Sagrada é a nossa única e toda suficiente regra de fé e prática. Tem Deus como autor, a salvação do Homem como fim e a verdade, sem mescla de erro, como conteúdo. Foi escrita por homens divinamente inspirados e é o registo da revelação pessoal de Deus. É a autoridade absoluta e o padrão supremo pelo qual toda a conduta humana deve ser aferida.

II. DEUS – Há somente um Deus vivo e verdadeiro; Ser pessoal infinito, inteligente e espiritual: o Criador, Redentor, Sustentador e Legislador do universo, digno do mais puro amor, reverência, adoração e obediência. O Eterno Deus revela-se a nós como Pai, Filho e Espírito Santo – Deus triúno, com atributos pessoais distintos, mas sem divisão de natureza, ser ou essência.

1. Deus como Pai, Primeira Pessoa da Trindade, é o Todo-Poderoso que reina sobre o Seu universo, as Suas criaturas e o curso da história humana, segundo os propósitos da Sua graça. Ele é perfeito em amor e sabedoria e é verdadeiramente Pai, para todos os que aceitam Jesus Cristo, Seu Filho, como Salvador pessoal.

2. Deus como Filho, Segunda Pessoa da Trindade – Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus. Na Sua encarnação, Ele foi concebido do Espírito Santo e nascido da virgem Maria. Revelou e consumou de forma perfeita a vontade de Deus. A Sua morte sobre a cruz providenciou para o homem a expiação dos seus pecados e a reconciliação com Deus. Ressuscitou com um corpo glorificado, ascendeu ao céu, e é agora exaltado à mão direita de Deus, como único Mediador entre o homem e Deus. Virá segunda vez em poder e glória para julgar o mundo e consumar a Sua missão redentora. Jesus Cristo habita agora em todos os crentes na qualidade de Senhor vivo e eternamente presente.

3. Deus como Espírito Santo, Terceira pessoa da Trindade – Foi Ele quem inspirou os homens santos de outrora a escrever as Escrituras. Habilita hoje o homem a compreender a verdade através da Sua iluminação. Exalta Cristo como Senhor. Convence do pecado, da justiça e do juízo. Convida os homens ao Salvador e efectua a regeneração. Cultiva o carácter cristão, conforta os crentes, habita neles e confere-lhes dons espirituais através dos quais servem a Deus na edificação da Sua Igreja.

III. O HOMEM – O homem foi criado por Deus à Sua imagem e semelhança como coroa da Sua criação. Era no princípio inocente e sem pecado, sendo dotado de liberdade de escolha. No uso da sua liberdade o homem pecou contra Deus trazendo o pecado sobre toda a humanidade. Só a graça de Deus, demonstrada pelo sacrifício de Jesus Cristo na Cruz, pode restaurar o homem à Sua santa comunhão e habilitá-lo a cumprir o propósito do seu Criador.

IV. A SALVAÇÃO – A salvação envolve a redenção do homem total. É oferecida espontânea gratuitamente a todos os que aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador pessoal, o qual por decreto do Pai tomou voluntariamente a forma humana, fazendo por Sua morte a expiação completa dos nossos pecados. Na sua amplitude, a salvação inclui regeneração, santificação e glorificação.

V. A IGREJA – É o Corpo de Cristo. Num sentido geral inclui todos os remidos de todos os tempos. Na sua expressão visível a Igreja de Cristo é, segundo o Novo Testamento, um corpo local de crentes baptizados, identificados uns com os outros pela confissão da mesma fé e unidos por um mesmo pacto de comunhão no Evangelho. É uma congregação de crentes baptizados regidos pelas leis de Cristo, que observa as Suas ordenanças, pratica os Seus ensinos e exerce os dons concedidos pelo Espírito Santo, direitos e privilégios de que foi investida pela Palavra Divina, com o fim de espalhar o Evangelho até aos confins da Terra. É uma comunidade autónoma de governo democrático sob a soberania de Jesus Cristo. Os seus oficiais são os Pastores e os Diáconos. Todos os seus membros têm iguais direitos, privilégios e responsabilidades.

VI. AS ORDENANÇAS – O Baptismo e a ceia do Senhor são as duas Ordenanças dadas por Jesus à Sua Igreja.

1. O Baptismo cristão é a imersão do crente em água, no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É um acto de obediência à ordenança de Jesus a todo aquele que Nele crê e em que o crente se identifica com Cristo pela afirmação da sua fé no Salvador crucificado, sepultado e ressuscitado. O baptismo em água reflecte de forma simbólica o Baptismo do Espírito Santo ocorrido quando o convertido creu no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal. Representa, pois, que o convertido morreu para o pecado, tendo-se verificado o sepultamento da sua velha natureza e a sua ressurreição para uma nova vida em Cristo. O baptismo em água é um acto público de testemunho que deve preceder a entrada do crente na comunhão da Igreja, visto que, como ordenança do Senhor, o constituí participante de todos os privilégios de membro e lhe dá acesso à Ceia do Senhor.

2. A Ceia do Senhor – É uma celebração da Igreja reunida. Esta Ordenança é igualmente um acto de obediência pelo qual os crentes partilham do pão e do vinho, celebrando juntos a morte de Jesus Cristo e apontando para a Sua segunda vinda. A Ceia do Senhor é celebrada em memória de Cristo, o pão simbolizando o Seu corpo sacrificado na cruz em nosso lugar e o vinho simbolizando o Seu sangue derramado para remissão do nosso pecado. Esta ordenança representa também a nossa comunhão espiritual com Cristo, a nossa participação na Sua morte e o testemunho vivo da nossa esperança de vida eterna com Ele. A tomada da Ceia do Senhor pressupõe o baptismo do crente como afirmação da sua fé em Cristo Jesus bem como um contínuo exame de si mesmo para uma participação responsável.

VII. SACERDÓCIO DO CRENTE – Ser sacerdote significa ter acesso a Deus. Cada crente em Cristo é um crente – sacerdote. Tem entrada directa a Deus, por Jesus Cristo, sendo responsável pela sua relação pessoal com Deus e pela sua própria conduta de vida, tendo que prestar contas de si mesmo a Ele. Jesus proporcionou essa entrada a Deus quando pela Sua morte na cruz, em sacrifício pelo nosso pecado, o Véu do Templo se rasgou de alto a baixo. Isso significou que todos teriam entrada directa a Deus por Jesus Cristo, o Sumo-Sacerdote e único Mediador entre Deus e os homens. Assim, pela fé no Senhor Jesus Cristo como Salvador, Deus torna cada crente um “sacerdote” Seu, escolhido para ser sacerdócio santo e real, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes d’Aquele que o chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. O crente – sacerdote exerce o seu sacerdócio ministrando Cristo a outros e oferecendo por si memo sacrifícios espirituais agradáveis a Deus – seu próprio corpo em sacrifício vivo, sacrifício de louvor, sacrifício de intercessão na oração, sacrifício de prática do bem, sacrifício da mútua cooperação, e sacrifício de serviço a Deus e ao próximo. O sacerdócio do crente implica que todos os cristãos são iguais perante Deus e na fraternidade da Igreja Local.

VIII. O REINO DE DEUS – O reino de Deus inclui a soberania geral de Deus sobre o universo e sobre todos os homens que espontânea e voluntariamente O reconhecem como Rei e Senhor. Todos os crentes devem orar e esforçar-se para que o reino de Deus venha em plenitude e a Sua vontade seja feita sobre a Terra. A consumação plena do Seu reino aguarda a segunda vinda de Jesus Cristo e o fim da era presente.

IX. ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS – Deus, no Seu devido tempo e a Seu modo, conduzirá todas as coisas neste mundo ao Seu adequado termo. Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente em glória, de acordo com a Sua promessa. Os mortos ressuscitarão e Cristo julgará todos os homens com rectidão. Aqueles que persistirem na incredulidade e na impenitência receberão no inferno a sua eterna punição. Os salvos ressuscitados, ou transformados na vinda de Jesus Cristo, fruirão a bem – aventurança eterna em seu corpo glorificado, e habitarão eternamente no céu com o Senhor.

X. EVANGELIZAÇÃO E MISSÕES – É dever e privilégio da Igreja, e de cada crente em particular, o cumprimento da grande missão dada por Jesus de evangelizar o mundo. O imperativo é o de fazer discípulos em todo o lugar e entre todas as gentes, através do testemunho pessoal e colectivo como Igreja, usando todos os meios consentâneos com o Evangelho de Cristo.

XI. ÉTICA RELACIONAL – O procedimento de todos os crentes, homens e mulheres, deve ser pautado pelos princípios éticos relacionais advogados nas Sagradas Escrituras, a Bíblia. Assim, no que concerne às relações interpessoais, o mandamento Supremo é o de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Nas relações que têm a ver com os sexos, o preceituado por Deus é o casamento, e que este seja monógamo e heterossexual. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, não sendo naturais, não são aceites as suas práticas. Do mesmo modo, todas as relações sexuais fora do casamento são condenadas nas Sagradas Escrituras.

XII. MORDOMIA – Deus é Senhor de tudo. Ele é a fonte de todas as bênçãos. A Deus devemos tudo o que somos e o que possuímos. Ele nos fez mordomos Seus, depositários do Evangelho e despenseiros da Sua Graça. É nossa obrigação servir a Deus com o nosso tempo, com os dons que o Espírito Santo nos concedeu, com os nossos talentos, com os nossos bens materiais e com o nosso amor, reconhecendo que tudo nos foi confiado por Deus visando a Sua glória na edificação da Sua Igreja. Ensinam as Escrituras que o crente deve contribuir para a Igreja, alegremente e com regularidade, tomando como base o dízimo dos seus rendimentos, conforme ordenação de Deus, e cultivando liberalidade na prática de uma mordomia integral, com alvo de promover o avanço do Evangelho e da causa de Cristo.

 

PACTO DA IGREJA

Tendo sido levados, como cremos, pelo Espírito Santo de Deus a aceitar o Senhor Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e tendo sido baptizados sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, agora, na presença de Deus, dos anjos e desta congregação, entramos muito solene e alegremente no seguinte pacto como um corpo em Cristo:
Comprometemo-nos com o auxílio do Espírito Santo, a andar juntos juntamente no amor cristão; a trabalhar para o progresso desta Igreja no conhecimento, na santidade, no conforto e na espiritualidade; a sustentar os seus cultos, suas doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina; a contribuir liberal e regularmente para o sustento do ministério, para as despesas da Igreja, para o auxílio dos pobres, e para a propagação do Evangelho em todas as nações.
Comprometemo-nos também a manter uma devoção particular e familiar, a educar religiosamente os nossos filhos, a procurar a salvação de todos, especialmente dos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser correctos em nossas transacções, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nosso proceder; a ser laboriosos nos trabalhos seculares, a evitar a detracção, a difamação e a ira; e a ser zelosos em nossos esforços para estender o Reino do nosso Salvador.
Além disso, comprometemo-nos cuidar uns dos outros; a lembrar-nos uns dos outros nas orações, a ajudar uns aos outros nas enfermidades e nas necessidades; a cultivar as relações francas e a delicadeza no trato, a não sentir logo as ofensas, mas a estar sempre pronto a perdoá-las, e a buscar quando possível a paz com todos os homens.
Finalmente, comprometemo-nos, quando sairmos deste lugar para outro, a unir-nos a outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste pacto.
O Senhor nos abençoe e proteja para que possamos ser fiéis e sinceros até à morte.

Amém.